Olá meninas, mamães de primeira viagem!!!
Quero compartilhar com vocês como foi a maratona de meu trabalho de parto.
Voltando um pouco, logo que descobri estar grávida, me perguntaram várias vezes. "E aí já decidiu qual será a via de parto? Normal ou cesárea?
Mas eu sempre respondia: "Eu não sou mulher para um parto normal, e muito sofrido, traumático, além de fazer um "arregaço" na mulher isso é terrível!!!"
Mas conforme a gravidez foi evoluindo, eu fui pesquisando, estudando, e tentando entender um pouco mais sobre o tão temido parto normal.
Então aos 7 meses eu decidi. Eu quero parto normal!
Minha previsão de parto estava entre 26 de outubro a 07 de novembro de 2016. Meu filho nasceu no dia 30 de outubro, ou seja nasceu dentro do período previsto.
Meninas vocês acreditam na intuição de vocês? Em pressentimentos? Sexto sentindo? Então....
Era uma manhã de sábado, quando acordei a primeira coisa que disse a meu esposo foi: "Nosso filho nasce de hoje até amanhã, de amanhã não passa." E ele questiona: Porque fala isso. Respondo: " Não sei, mas sinto." E como tive vários alarmes falsos, ligados às contrações falsas, de treinamento ou de Braxton-Hicks, como queiram chamar, ele não deu muita bola.
Naquele sábado 29 de outubro de 2016... foi um dia que eu senti: Indisposição, cansaço, sono. Parecia que meu corpo dizia durma enquanto você ainda pode kkkkk
Uma sensação que não consigo descrever... Fomos para uma feijoada, na casa do amigo de meu esposo, neste dia o bebê, se movimentou menos. Por volta das 14h eu fui ao banheiro, havia um pequeno sangramento, mas eu não sentia nenhuma contração e nem nada de anormal, somente minha intuição avisando que já havia chegado o momento.
Mas não comentei nada a ninguém, depois do almoço fomos para casa, tomei banho e então mostrei minha calcinha a meu esposo, ele imediatamente disse vamos a maternidade, mas recusei porque o sono era maior que qualquer coisa. Então fui dormir. Acordei era quase 17h e seguia com aquele sangramento, só que um pouco mais. Fomos na maternidade municipal, quando fui avaliada pelo obstetra de plantão, eu já estava com 02 cm de dilatação, porém eu não tinha nenhuma contração. O médico me explicou que eles só internariam se eu já estivesse com 04 cm dilatados, ou se houvesse o rompimento da bolsa das águas, tranquilamente decido voltar para casa.
No caminho, vou ao supermercado, faço algumas compras, depois que cheguei em casa...
Limpei de novo o quarto do bebê, organizei a cozinha, e minha mãe preparou o que em minha região chamamos de "caldo de caridade" bem apimentado, deixarei a receita pra vocês, as mulheres mas experientes do interior dão esse caldo para estimular as contratações, em seguida tomei leite de magnésia, para ter o efeito laxante, isso mesmo se ninguém nunca disse a você, fazemos cocô, em plena sala de parto. Fazemos tanta força, mas tanta, que muitas mulheres se "cagam" mesmo de dor. Depois de quase 2h o efeito laxante veio... (Eu não fiz cocô, enquanto fazia força, pode ser natural para equipe limpar você. Mas eu sentia que aquilo poderia ser algo constrangedor. Até porque a equipe que me atendeu toda ela era composta por homens, em nenhum momento nenhuma, mulher me atendeu na sala de parto. Muitos dizem que isso foi sorte, porque falam que enfermeiras são malvadas né!).
Enfim....
Depois fui tomar banho, no chuveiro lixei os pés de novo pq ficamos muito com os pés expostos, então eu morria de vergonha de pé "cascudo" Quando comecei a lavar meu cabelo aproximadamente as 21h dava início às tão temidas contrações. Enquanto secava meus cabelos a bolsa se rompeu. Aí nessa hora me veio a agonia, medo da dor, ansiedade pra conhecer meu pinguinho de gente, uma mistura de sensações que é difícil descrever. Quando termino tudo, reviso minha bolsa e do bebê sigo para maternidade 00:42h.
Chegando na maternidade fui muito bem atendida, sem muita espera, logo me fizeram avaliação confirmando o rompimento da bolsa, e ainda seguia com os mesmo 02 cm dilatados, e a contrações se intensificando cada vez mais. E logo fui encaminhada para sala de parto, acompanhada de meu esposo. Sim ele precisava estar presente para saber o quanto estava sendo guerreira, e isso foi ótimo fortaleceu ainda mais nossa relação, e soube me apoiar quando veio a depressão pós parto. Mas bem isso é outro assunto... Continuando..
Contudo gente eu tentei me manter calma e traquila. Apesar de ter me desesperado em vários momentos, aí nesses desesperos eu falava minhas bobagens, não fiz griteiro, não dava pra gritar eu falava muito, reclamava, dizia aos enfermeiros que eles tinham a intenção de me matar, ja que não me encaminhavam para o quirofano, e realizar a cesarea, acho que me deu um tic de hiperactividade, citava para eles até a lei, que fala sobre este direito da mulher. Mas insistiam que eu tinha todas as condições para um parto natural. Todo instante eram monitorando meus sinais vitais, aqueles meninos até mesmo o obstetra tiveram uma paciência de Jó comigo.
Por volta das 2h da manhã, eu suplicava para me fazerem uma cesárea, porque pensava que ia morrer, sentia como se meus ossos estivessem sendo quebrados, então eu comecei a tentar me concentrar em tudo que havia lido, e pesquisado sobre as técnicas de parto e respiração, etc. Mesmo sentindo uma iminência de morte tentei praticar tudo na hora.
Dos exercícios que ajudam a amenizar por exemplo: bola, caminhada, massagens em mim nada resolveu. Mas uma amiga me disse que a bola pra ela foi o melhor.
O que ainda me ajudou um pouco foi o banho morno deixando a água cair sobre minha barriga, porque a água sobre as costas, intensificava ainda mais as contrações. Eu não tive essa coisa que a teoria fala. 3 ou 4 contrações a cada 10 minutos. Eram intensamente, intensas eu não tinha tempo para respirar, mas tinha que conseguir fôlego em meio a tanta dor. Eu não conseguia caminhar, não tinha força e nem equilíbrio suficiente. Não consegui fazer isso nem por 5 minutos. Mal dava conta de ir para o banho quente. Eu sempre perguntava a hora, não sei porque eu me preocupava tanto com o horário, me sentia tão cansada. Cansada de tanta dor, uma dor que te mata e te faz renascer junto com seu filho. Por volta das 5h da manhã, consegui os dilatar os 10 cm.
Antes disso eu havia perguntado para o enfermeiro auxiliar. Como sei que dilatei os 10 cm?
Ele me explicou que quando dilatamos os 10 cm sentimos vontade de fazer força. Por que quando vem a contratação somos orientadas a fazer força mas não conseguia eu tentava era segurar a dor. Nem tudo sai como diz a teoria o fato é esse.
E realmente quando dilatei tudo e vinha a contração e eu conseguia fazer força simultaneamente. E quando passava eu conseguia respirar.
Quando chegou o período expulsivo, eu suplicava por favor me façam uma episiotomia e não me fizeram. Eu tive laceração grau 2 e me fiz uma ráfia
E bom pesquisar: O parto e divido em quatro partes, o que é a episiotomia, ráfia... etc eu fui consciente do que era tudo isso. Por medo de negligência. E orientei em tudo meu esposo também.
Então,
Às 5:37h daquela manhã de domingo, 30 de outubro nascia a mãe Juceli e seu filho Júlio que veio ao mundo com 3.515 kg e 51 cm. Lindo e saudável!
E sabe uma coisa meninas, se um dia eu for abençoada com um segundo filho, e caso eu venha ter condições a isso terei outro parto normal. Depois que sai da sala de parto. Eu já tomei banho e cuidei de meu filho. Claro, muito dolorida, cansada, quando urinamos e um ardor terrível. Meus pontos começaram a cair desde 6° até 10° dia. já me sentia super bem e disposta. Não troco o parto normal. E uma experiência dolorosa, emocionante que de algum modo nos faz sentir mais fortes, segura e mais mulher!
Espero que minha experiência não te assuste e sim te incentive a não ter medo! Se o seu corpo e suas condições de saúde lhe dão chances para o parto normal não abra mão dele.
Fiquem com Deus, e comente aqui deixe sua experiência, ou talvez seu receio, para ajudar outras mulheres, pois foi com a experiência de outras que criei coragem por isso compartilho aqui minha linda experiência.
Beijo grande!